Imprensa

Guia de referência para cobertura jornalística

Desde que o tema da não-violência na infância e na adolescência entrou na agenda social, certas abordagens midiáticas vêm carregadas de preconceito e falsas informações. Com o objetivo de sensibilizar e informar os comunicadores sobre os aspectos principais do assunto, a Rede Não Bata, Eduque, em parceria com a ANDI – Comunicação e Direitos, elaborou o “Castigos físicos e humilhantes – guia de referência para cobertura jornalística”, da Série Jornalista Amigo da Criança.

Considerando a complexidade da relação entre pais, filhos e profissionais de educação no processo educativo, a publicação também busca subsidiar o debate na esfera pública sobre educação positiva, em contraponto aos castigos físicos e humilhantes, ainda naturalizados como estratégia pedagógica nas famílias e escolas de todo o mundo. A presença de tal abordagem na mídia fornece informações importantes para os adultos e para as próprias crianças e adolescentes, reforçando a imagem de meninos e meninas como sujeitos que têm direito a um tratamento respeitoso.

Então, convidamos os jornalistas, radialistas, assessores de imprensa, comunicadores populares e curiosos em geral para acessarem o conteúdo do guia. Clique Aqui!

Informações importantes

De acordo com dados do Disque 100 referentes ao ano de 2019, foram registradas 86.837 denúncias de violência contra crianças e adolescentes, sendo 71% negligência, 42% violência psicológica, 38% violência física e 20% violência sexual. É importante lembrar que uma denúncia pode conter mais de um tipo de violência.

*Observações: TOTAL – Uma denúncia pode incluir mais de uma violação de direitos sofrida por uma mesma criança. Por esse motivo o valor da coluna Total é superior ao valor da coluna Total de Denúncias.

Os dados computados pelo Disque 100 englobam outros tipos de violência, como violência institucional, patrimonial, exploração do trabalho infantil, etc. que não abordamos nesse resumo.

Se analisarmos as colunas “violência física” e “violência psicológica” que representam o castigo físico e humilhante, houve uma redução de 3 pontos percentuais na “violência física” e 5 percentual ponto na “violência psicológica” a partir de 2014 (ano de aprovação da Lei Menino Bernardo).

Não podemos afirmar que a redução no número de denúncias da violência física é resultado da aprovação da lei , mas acreditamos que a discussão , divulgação e o processo de sensibilização da sociedade brasileira em torno da temática e da atualização do marco legal tenham contribuído para o fato.

Infelizmente, ao contrário do que muitos pensam o “lar” não tem sido um local seguro para as crianças e adolescentes. Para diminuir o elevado índice de violência doméstica contra crianças e adolescentes precisamos discutir os estilos de educação utilizados na sociedade brasileira, como por exemplo:

Muitos ainda defendem as “palmadas pedagógicas” e o uso de algum grau de violência no processo educativo e de cuidado das crianças e adolescentes o que alimenta a grande incidência de violência doméstica e violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes.

Acreditamos que o diálogo, o afeto e o estabelecimento de regras e limites com a participação das crianças e adolescentes é o caminho para a construção de uma sociedade pacífica e menos violenta, a diminuição dos alarmantes índices de violência doméstica e a construção de uma cultura de paz.

Sugerimos uma abordagem do tema de forma profissional e propositiva onde a prática do bater para educar possa ser questionada e apresentada alternativas não violentas de educação.

Temas transversais como uma educação igualitária entre meninos e meninas, já que as meninas sofrem mais violência que os meninos, em especial a violência sexual, a reprodução da violência como comportamento aprendido em outros espaços de convivência como a escola (pesquisas apontam uma interelação entre a violência doméstica e o bullying).

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742009000300015&script=sci_arttext

Vale ressaltar que uma análise (publicada em abril de 2016) de 75 estudos, com mais de 50 anos, realizado em 13 países diferentes, onde foram consultadas 160.927 crianças, comprovam os riscos do uso da palmada em crianças e adolescentes, dentre eles:

Assessoria de Imprensa

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Confira a tabela a seguir, que traz um resumo estatístico do Disque 100 do período entre 2011 e 2018:

*Fonte: Disque 100